Postado em 21/12/2011

1 – INTRODUÇÃO: Porque este material é importante.

A primeira pergunta que deve ser respondida é: Por que mais um material sobre o Natal?Afinal, já não existe material abundantemente suficiente abordando essa questão? Na realidade a maior parte do material circulante é simplesmente uma repetição de uma mesma conjectura que será abordada mais adiante: a de que o Natal tenha alguma relação com Nimrod, Smíramis ou Tamuz.

Infelizmente essa é uma idéia equivocada, e que é perpetrada por muitos como se fosse verdade. Trata-se de uma grande mentira. Não fosse trágico, seria irônico que materiais e mensagens elaborados no intuito de combater práticas pagãs sejam mentirosas. Não se combate as trevas com mentiras. Se você, caro leitor, se utiliza de uma mentira para convencer alguém a deixar outra, como poderá querer ser visto pelo Eterno de maneira diferente? Se ambos creem em mentiras a diferença de resultados poderá ser levada em consideração? É por isso que é importante investigar tudo o que lê. Na era da internet, muitos são ingenuamente iludidos pelo volume de informação, e não se ocupam de sua qualidade. Não se verificam as informações, não se checam as afirmações. Afinal se um texto tem cem páginas, como pode estar errado? Ou se tantos propagam uma informação, como pode não ser ela verdadeira?

Ora caro leitor, não foi justamente por questionar tais falácias que fomos capazes de buscar uma prática bíblica? Não voltemos, portanto, a cair nos mesmos erros de outrora. Ou pior: se exortarmos alguém com base em enganos, o que os impedirá de retornarem ao erro ao se descobrirem enganados?

Para não repetir esse erro, o objetivo desse material, muito mais do que convencer, é educar. E desde já encorajo o leitor a não acreditar nas minhas palavras puramente por consideração a mim, ou por me supor verdadeiro no que digo apenas porque apontei o problema supracitado. Isso seria, mais uma vez, cair no mesmo engano. Engano esse que precisamos superar. Sendo assim, encorajo ao leitor a pesquisar as informações aqui contidas – a checar as fontes, e a chegar às suas próprias conclusões. Que as conclusões por mim aqui apresentadas sejam encaradas apenas como um incentivo para você, leitor, possa também extrair as suas próprias conclusões. Dar-me-ei por satisfeito mesmo que o leitor resolva discordar da posição aqui apresentada, contanto que consiga atingir um único objetivo: Ajudar a você, leitor, a entender o que é fato, e o que é conjectura, no que é dito a respeito do Natal.

2- O IMAGINÁRIO DE UM PASTOR PROTESTANTE

As conjecturas sobre Nimrod, Semíramis e Tamuz têm origem no imaginário de Alexander Hislop, um pastor protestante da igreja Livre da Escócia, que viveu no século19. Como muitos teólogos anteriores e posteriores a ele, Hislop identificou a “Grande Bavel (Babilônia)” da revelação bíblica com a figura da igreja católica apostólica romana. Até ai não há muitas novidades. Tal associação se baseia em uma série de elementos: identificações geográficas em Guilyana (Apocalipse), bem como o enquadramento de práticas da igreja romana com coisas condenáveis pela própria Bíblia, tal como sincretismos, mudanças na Torá (Lei) do Eterno, entre outras.

O objetivo aqui não é entrar nesse mérito, e provavelmente a maioria dos leitores já está familiarizado com tais elementos. A questão é: Onde Hislop inovou, e se destacou dos demais?

Hislop imaginou uma mitologia centrada na figura de Nimrod, que a Bíblia como sendo um descendente de Cush. Ele imaginou que Nimrod teria dado início a um culto babilônico centrado na sua figura, bem como na de sua esposa, que Hislop identifica como Semíramis. Ela, Semíramis teria dado a luz um filho, Tamuz, que teria sido posteriormente considerado a reencarnação de Nimrod, e que teria se tornado amante de sua própria mãe. Deificados por esse culto, tais personagens estariam no cerne da mitologia babilônica que, posteriormente, viria a ser adotada a pelo catolicismo romano.

Hislop primeiro publicou suas teorias em um panfleto denominado “As Duas Babilônias”. Como teorias conspiratórias sempre encontram eco no povo, o panfleto fez bastante sucesso, e acabou por ser expandido e transformado num livro homônimo lançado em 1858. Abaixo, uma imagem da capa da edição de 1916.  

4.2- Tamuz

Tamuz é uma deidade babilônica, também chamado de Dumuzi ou Dumuzid, em sumério, que significa “filho verdadeiro” ou “filho fiel”. A Bíblia contém uma referência à sua adoração por parte de mulheres de Yehudá (Judá) em Yechezkel/Ezequiel 8: 14 – “E levou-me à entrada da porta da casa de YaHWeH, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz”. Estranhamente até hoje no Judaísmo Rabínico realiza-se o ”jejum de Tamuz”. Biblicamente, o jejum era um ato de contrição. Evidentemente que hoje o “jejum de Tamuz” é atribuído a outras causas, porém sua prática é ainda remanescente do culto ao deus babilônico.

Abaixo, pode-se ver a prática do jejum como parte do culto e do pranto a Tamuz:
“Ó herói, meu senhor, quanto a mim, direi: Comida não comerei, direi, água não beberei, direi, meu bom servo, direi, meu bom marido, direi... Sozinho ele está, ele mesmo, meu senhor, por quem o pranto é erguido”.

Muito provavelmente, Tamuz originalmente era um governante, que posteriormente foi deificado. Ele aparece na lista de governantes babilônios como um rei anti-diluviano:
“Após o reinado ter descido do céu, o reinado esteve em Eridu... Então Eridu caiu, e o reinado foi levado para Bad-tibirá... O divino Dumuzi, o pastor, reinou por 36 mil anos”. (Lista dos Reis Sumérios).

Além disso, Tamuz, é mencionado ta,bem no Épico de Gilgamesh, embora sem nenhuma informação direta de grande relevância, e numa série de hinos e poemas sobre ele e Inana, sua consorte. Na maioria dos poemas, Tamuz é mencionado na forma de lamentos por sua morte. Os textos são extensos demais para serem citados na íntegra. Porém abaixo serão apresentados aqueles que são relevantes para a sua mitologia.

A família de Tamuz

Tamuz é apresentado como tendo vários familiares:
“Ao seu desaparecimento, ele levanta um lamento; “Ó meu filho” ao seu desaparecimento ela levanta um lamento”. (Lamento das flautas para Tamuz)
“Dumuzi falou: Inana, não comece uma contenda. Meu pai, Enki, é tão bom quanto o teu pai, Nana. Minha mãe, Situr, é tão boa quanto sua mãe, Ningal. Minha irmã, Gehstinana, é tão boa quanto a sua”. (O cortejo de Inana e Dumuzi)
“Dumuzi ergueu seus braços ao céu, a Utu, o deus da justiça, e clamou: ‘Ó Utu, tu és o meu cunhado, eu sou marido de tua irmã... Levanta-te, Dumuzi! Marido de Inana, filho de Sirtur, irmão de Gehstinana!”. (O sonho de Dumuzi)
Aqui observa-se a família de Tamuz. Ele é o filho de Enki e Sirtur, irmão de Gehstinana, cunhado de Utu, e consorte de Inana.

Por razões de brevidade, não entraremos no mérito de avaliação da família de Tamuz. Deixa-se a cargo do leitor que se interessar realizar tal pesquisa. Esse texto limitar-se-á a dizar que Enki era o deus da vida, e Situr a deusa das ovelhas, segundo a mitologia suméria. Isto provavelmente explica a ilustração de Tamuz como um deus-pastor. A figura mais importante nesse relato é Inana, cuja etimologia do nome já revela sua principal característica: “Nin”, que em sumério significa ‘senhora’, e “An”, que significa ‘céu’. Ou seja Inana é a Rainha dos Céus. Dada a sua enorme importância tanto na mitologia suméria quanto na mitologia babilônia, onde ficou conhecida pelo nome de Ishtar, certamente essa é a figura que era adorada pelas mulheres de Yehudá (Judá), o que é denunciado por Yrmiyahu/Jeremias 7:18 – “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira”.   

Características gerais de Tamuz

Além de ser sempre chamado de “pastor” em quase todas as referências em que aparece, a morte de Tamuz também aparece figurativamente associada ao fim da época da colheita, conforme pode ser visto abaixo:
“Seu lamento é para o grande rio onde nenhum salgueiro cresce; seu lamento é por um campo, onde o milho e as ervas não crescem. Seu lamento é por um poço, onde os peixes não crescem; seu lamento é para um matagal de juncos, onde os juncos não crescem mais. Seu lamento é para os bosques, onde tamariscos não crescem. Seu lamento é pela profundidade de um jardim de arvores, onde o mel e o vinho não crescem. Seu lamento é pelos campos, onde nenhuma planta cresce. Seu lamento é para um palácio, onde o comprimento da vida não cresce”. (Lamentos das flautas por Tamuz)

“Meu filho não vive mais... O pastor, o senhor Tamuz, não vive mais... O poderoso rei da terra não vive mais. Quando ele adormece, as ovelhas e carneiros também adormecem. Quando ele adormece, os bodes e os filhotes também adormecem... O deus do grão, o filho, teu senhor, foi destruído”. (Salmo na flauta de Tamuz)

Observa-se que Tamuz é chamado de deus do grão, e nos hinos de lamento a ele está associado o cessar de uma série de atividades. Considerando que o mês de Tamuz, do calendário babilônio, bem como no calendário rabínico – que nada mais é do que o mesmo calendário importado; e no calendário turco, referem-se à época por volta de julho/agosto, provavelmente a morte de Tamuz está associada ao fim do verão. O outono é a transição entre o verão e o inverno, e provavelmente o fato de que a colheita ia gradativamente ”adormecendo” estaria associada à morte de Tamuz, possivelmente no início do outono.

No término do texto “A descida de Inana ao Mundo Inferior”, é dito que se esperaria que Tamuz, enviado ao mundo inferior pela própria Inana em seu lugar, um dia retornaria.

“Para Dumuzi, o amante de sua juventude; Lava-o com água pura, unge-o com óleo doce, veste-o em robe vermelho, e que a flauta lápis lazuli toque; que moças festeiras levantem grande lamento... No dia que Dumuzi voltar, e a flauta lápis e o anel carmesim vieram com ele, prateadores macho e fêmea virão com ele; os mortos se levantarão e cheirarão a oferta de fumaça”. (A desida de Inana ao mundo inferior)

Todavia não se tem o texto acima completo, e não se sabe com precisão se o retorno de Tamuz estaria de alguma forma associado ao retorno do verão. Completamente ausente, todavia, da mitologia babilônia é alguma conexão entre Tamuz e o solstício de inverno.

4.3- Semíramis

Semíramis ou Sammu-ramat, foi uma rainha babilônia que assim é descrita:
“Sammu-ramat, grego Semíramis, rainha assíria que se tornou uma heroína lendária. Sammu-ramat era a mãe do rei assírio Adadi-Mirari III (reinou 810-783 A.C.). Sua estela (haste de pedra memorial) foi encontrada em Ashur, enquanto uma inscrição em Calá (Nimrud) mostra que ela lá dominou após a morte de seu marido, Shamshi-Adad V (823-811 A.C.). Sammu-ramat foi mencionada por Heródoto, e o historiador posterior Didorus Siculus [N. T. historiador grego doséculo1 A. C.] elaborou toda uma lenda sobre ela. De acordo com ele, ela nasceu de uma deusa,e, após ter se casado com oficial assírio, ela cativou o rei Ninus por sua beleza e valor, e se tornou sua esposa. Logo depois, quando Ninus morreu, Sammu-ramat assumiu o poder e reinou por muitos anos. Naquele tempo, ela edificou a Babilônia e se voltou para conquistas terras distantes”. (Sammu-ramat – Encyclopaédia Britânica).

Observa-se por essa descrição que Semíramis foi uma rainha que viveu muito tempo depois de Nimrod e também do mito de Tamuz. A única conexão aparente é o nome da cidade Calá, mesma cidade onde Nimrod teria reinado muitos séculos antes. E é justamente por essa razão que os árabes, baseando-se no relato de Bereshit (Gênesis), muitos séculos depois se batizariam de “Nimrud”.

As informações históricas sobre Semíramis apenas indicam que ela foi uma rainha importante, especialmente após a morte de seu marido, mantendo-se à frente de Bavel (Babilônia). 

V- A lenda de Diodorus Siculus

Além da informação histórica sobre Semíramis, Diodorus Siculos, historiador grego do século 1 A.C. narra a seguinte lenda sobre Semíramis:
“Ascalom é uma cidade na Síria, e próxima a ela ha um largo, e profundo lago abundante em peixes, na margem do qual prevalece a fama de uma notória deusa a quem os sírios chamam Derceto. Essa deusa tem a face de uma mulher, mas todo o resto de seu corpo é de um peixe... Agora Derceto, após ter aproveitado os braços desse sírio, deu a luz uma filha; mas tendo vergonha de seus atos pecaminosos, matou o jovem homem e abandonou o bebê para morrer... Agora, esse homem não tinha filhos, então educou este infante com cada cuidado como se fosse sua própria filha, e a concedeu o nome de Semíramis, a própria palavra que língua dos sírios significa “pombas”. Então na essência, essa é a lenda que eles contam do nascimento de Semíramis... Agora, após a morte dessa ranha, Ninyas, o filho de Ninus e Semíramis, a sucedeu ao trono, mas não emulou o amor de sua mãe pela guerra ou bravura de espírito”. (Antiguidades da Ásia, livro II)

Não está claro se essa lenda foi criada pelo próprio Diodorus Siculus, conforme afirma a Britânica, ou se o historiador simplesmente relata uma lenda regional. Nessa lenda Semíramis é tornada filha de uma deusa, Derceto, e torna-se uma rainha guerreira. Não há qualquer conexão aparente com Nimrod, Tamuz, nem qualquer menção a uma ressurreição de um filho. Pelo contrário, segundo o relato de Diodorus Siculus, o filho de Semíramis chamava-se Ninyas, e foi apenas um rei de expressão inferior. Siculus afirma ainda que o esposo de Semíramis, a quem ele chama apenas de “Ninus”, teria sidoo fundador de Nineve:
“Ele nomeou a cidade de Ninus, segundo ele próprio, e colocou muito território adjacente sob o domínio do colonista”. (Antiguidades da Ásia, livro II) 

Siculus atribui o inicio do império assírio a tal rei, designado apenas de “Ninus” pelos gregos. O termo “Ninus” provavelmente vem do sumério “Nin”, que significa simplesmente “senhor”, e era um título comum para reis.

Siculus comete alguns erros: Além de supor a existência de tal figura, denominado “Ninus”, Siculus atribui uma data muito tardia para o estabelecimento da Assíria. Sabe-se que ela é anterior a isso, e estela da verdadeira Semíramis é um indício disso. Sabe-se que, na realidade, tal rei jamais existiu, e a verdadeira Semíramis era esposa de Shamshi Adad V, e foi mãe não do fictício Niyas, mas de Adad-Nirari III.

De qualquer maneira, mesmo na lenda de Siculus, não se encontra nenhum elemento que poderia dar suporte à tese de Hislop, a que investigamos aqui.

VI- O PRINCÍPIO DA PRETENSA CONEXÃO

A ideia de Hislop se baseia inicialmente numa conexão bem anterior a ele.Ela parte da literatura clementina, um conjunto de pseudo-epígrafos que hoje se estima ter sido escrito entre os séculos 2 e 4 D.C. A ideia da literatura clementina é muito simples: A Bíblia diz que Nimrod fundou Níneve. A mitologia grega diz que um rei chamado Ninus fundou Níneve, logo Nimrod era conhecido como Ninus:
“Primeiro dentre os quais é nomeado um certo rei Nimrod, a arte da magia tendo sido dada a ele por um relâmpago, o qual os gregos chamavam Ninus, e de onde a cidade de Níneve tomou seu nome”. (Reconhecimentos 4:29)

Essa conexão apresenta alguns problemas:

a) A mitologia grega é fictícia;

b) O relato cronológico da mitologia grega é bem posterior à data que Bíblia diz que Níneve foi fundada;

c) O texto bíblico não deixa claro se quem fundou Níneve foi Nimrod ou Ashur. De fato, hoje em dia se privilegia a segunda leitura;

Além disso, a própria literatura clementina cai em contradição, em dado momento atribuindo a Nimrod outra identidade: a de Zoroaster, fundador do Zoroatrismo. Noutro ponto diz que Zoroaster foi Mitsrayim:
“Um desses, pelo nome de Ham, infelizmente descobriu o ato mágico, e escreveu a instrução dele a um de seus filhos, que era chamado Mitsrayim, de quem a raça dos egípcios e babilônios e persas descendem. A ele as nações que então existiam chamavam Zoroaster, admirando-o como o primeiro autor da arte mágica; negociante cujo nome também em muitos livros sobre o tema existem”. (Reconhecimentos 4:27)
“Portanto o mago Nimrod, tendo sido destruído por esse relâmpago caindo na terra do céu, por essa circunstância mudou seu nome para Zoroaster, em razão do córrego vivo (zosan) da estrela (asteros) sendo derramado sobre ele”. (Homilias 9:5)

Em outras palavras, pode-se perceber com clareza que os textos da literatura clementina simplesmente tentam amarrar as pontas, associando importantes figuras da literatura bíblica com personagens da cultura médio-oriental. Isso, por si só, não passa de um movimento ingênuo, sem qualquer fundamentação histórica concreta.

VII- O RACIOCÍNIO DE HISLOP

Hislop parte da associação feita pela literatura clementina, e comete o anacronismo de afirmar que, como Nimrod seria Ninus, então Semíramis teria sido sua esposa. A partir daí, Hislop tece uma série de delírios interpretativos, afirmando essencialmente que Nimrod teria sido um deus, e que Semíramis teria sido uma mãe que teria dado a luz ao filho de Nimrod. Partindo da ideia que supostamente Tamuz seria um deus que “reencarna” – e associando o solstício de verão a festa da natividade de Yochanan (João) – Hislop  conclui que o filho de Semíramis seria Tamuz, o qual seria reencarnação de Nimrod, nascido no solstício de inverno. Ao associar Semíramis com praticamente toda divindade feminina que existe no planeta, a conexão entre Semíramis e Inana veio naturalmente para Hislop, que a partir daí obteve a ligação necessária que deriva da mitologia de Inana e Tamuz.

Quem já assistiu o filme “Uma mente brilhante” deve se lembrar da cena qual, em meio ao seu delírio esquizofrênico, o matemático John Forbes Nash monta um gigantesco mural com recortes de revistas e jornais, traçando conexões mirabolantes entre elas para concluir que faz parte de um programa militar e está sendo perseguido. Tal cena não é muito diferente da impressão que se fica ao ler a obra “As duas babilônias” de Hislop. Um leitor com menos conhecimento pode se impressionar com a verborragia, com a quantidade de supostas conexões entre as religiões, e concluir que está de fato diante de uma conspiração arquitetada por Nimrod e Semíramis. Pura especulação e fantasia.

Além dos fatos acima, já demonstrados como infundados, Hislop parte para traçar uma série de paralelos com outras religiões onde existam deuses com características semelhantes. Fato é que  muitas vezes até essa conexão é difícil de ser estabelecida. O politeísmo primitivo é repleto de antropomorfismo. Sendo assim, , figuras de deusas mãe, com seus filhos; deuses se casando; deuses que são parentes entre eles; etc. não faltam na humanidade. Isso não significa necessariamente que todas essas coisas  precisem ser traçadas especulativamente a uma única origem. Ao escrever tal obra especulativa, Hislop muito mais prestou desserviço que um serviço. Porque há quem suponha que, já que o delírio de Hislop, isso signifique que Roma não incorporou elementos pagãos a fé, ou que o Natal não tenha de fato origens pagãs. Isso seria um grave erro.

VII- RESUMO DOS FATOS

Abaixo um resumo dos fatos comparando a realidade histórica com as alegações de Hislop:

VII- CONCLUSÃO

Como se pode perceber, a conexão afirmada por muitos entre Nimrod, Semíramis e Tamuz como se fosse verdade absoluta está longe de sê-lo. Pelo contrário, para estabelecer essa conexão Hislop precisou cometer uma série de arbitrariedades que o afastam da verdade histórica sobre os personagens mencionados. Não se combate uma mentira, o Natal, com outra mentira, tecendo conjecturas mirabolantes sobre uma família de semi-deuses na Babilônia antiga.

No próximo material, será explorada a verdadeira origem do Natal, bem como sua conexão com o culto à Mitra e as festividades pagãs do solstício de inverno.

Sha’ul Bentsion

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